Burnout nos Psicólogos
- Joana Pereira

- 12 de mai.
- 2 min de leitura

A prática profissional de Psicologia centra-se na promoção do bem-estar e da saúde mental, visando otimizar o funcionamento quotidiano do indivíduo nas dimensões cognitiva, emocional e comportamental. Através desta atuação, procura-se fomentar o desenvolvimento nos domínios físico, social e psicológico, de modo a potenciar uma adaptação do sujeito ao meio envolvente. O exercício desta profissão, embora possa ser bastante compensador, é igualmente exigente e de grande responsabilidade, implicando a exposição a diversos riscos, entre os quais o burnout.
O burnout, definido como uma resposta sintomática a um quadro de stress crónico e avassalador, decorrente de exigências ocupacionais persistentes, estrutura-se em três dimensões fundamentais: a exaustão emocional, que se caracteriza por uma sensação profunda de desgaste e debilidade física e mental, levando o profissional a esgotar os seus recursos internos e a perder a capacidade de se conectar com as solicitações do meio laboral; a despersonalização, que se revela através de um maior distanciamento, indiferença ou irritabilidade nas relações interpessoais, acompanhados por uma perda visível de idealismo; e, por fim, a reduzida realização pessoal, que se traduz numa perceção de ineficácia e num autoconceito fragilizado, levando o indivíduo a realizar autoavaliações negativas e a duvidar da sua própria competência. Assim, o conceito consolidou-se para designar o conjunto de repercussões adversas — de natureza física, psicológica e comportamental — resultantes desta exposição crónica ao stress laboral.
A prevalência de burnout entre os profissionais de saúde psicológica é significativamente elevada, o que reitera a necessidade imperativa de estratégias de prevenção precoce. O autocuidado define-se como o compromisso consciente do indivíduo em envolver-se, de forma regular, em práticas que visem a manutenção e otimização da sua saúde (OPP, 2020). Para uma prevenção eficaz, é essencial priorizar pilares fundamentais que sustentam o equilíbrio biopsicossocial, nomeadamente: a higiene do sono, a prática regular de exercício físico, a manutenção de uma alimentação equilibrada, o fortalecimento do suporte social e a integração de estratégias de autorregulação, como momentos de relaxamento e a prática de mindfulness. Em prol do equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, a imposição de limites no trabalho, a gestão de tempo, a procura de supervisão e a psicoterapia pessoal são, igualmente, aspetos essenciais.
Intervir antecipadamente não só protege a integridade do profissional, como garante a qualidade e a eficácia da prática clínica, assegurando que o psicólogo mantém a capacidade de promover o bem-estar dos seus clientes sem comprometer a sua própria saúde mental.




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