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Saúde mental: cuidar de nós também é cuidar da nossa saúde

Foto do escritor: Joana Pereira
Joana Pereira
há 2 dias
2 min de leitura

Falar de saúde é também falar de saúde mental.


Apesar de, durante muito tempo, a saúde mental ter sido associada sobretudo à presença ou ausência de sofrimento psicológico, sabemos hoje que é uma realidade muito mais ampla. Está presente na forma como pensamos, sentimos, nos relacionamos com os outros e enfrentamos os desafios que fazem parte da nossa vida.


Ter saúde mental não significa estar sempre bem, sentir-se feliz todos os dias ou conseguir lidar sozinho com tudo aquilo que nos acontece. A tristeza, a ansiedade, a frustração, o medo ou o desânimo fazem parte da experiência humana. Há momentos em que nos sentimos mais capazes de enfrentar as dificuldades e outros em que precisamos de parar, reorganizar-nos ou procurar apoio.

Talvez, por isso, cuidar da saúde mental comece com uma pergunta aparentemente simples: como estou? Vivemos, muitas vezes, num ritmo que deixa pouco espaço para esta pergunta.


Entre o trabalho, a família, as responsabilidades, as relações e todas as exigências do quotidiano, podemos habituar-nos a continuar, mesmo quando alguma coisa dentro de nós começa a pedir atenção. Podemos sentir-nos mais cansados, irritáveis, preocupados ou desmotivados e, ainda assim, dizer que está tudo bem. Por vezes, só paramos quando percebemos que já não conseguimos lidar com o dia a dia da mesma forma e que aquilo que estamos a sentir começa a interferir com o nosso sono, as nossas relações, o trabalho, os estudos ou a capacidade de desfrutar das coisas que habitualmente nos fazem bem.


Ao longo da vida, todos atravessamos momentos de maior vulnerabilidade. Uma perda, uma mudança, uma doença, dificuldades profissionais ou financeiras, conflitos nas relações ou períodos prolongados de stress podem ter um impacto significativo no nosso bem-estar psicológico. Mas a forma como cada pessoa reage a estas experiências é única. A nossa história, as nossas características individuais, as relações que estabelecemos e os recursos de que dispomos influenciam a maneira como enfrentamos aquilo que nos acontece.


E, se há circunstâncias que podem tornar-nos mais vulneráveis, também existem relações, experiências e recursos que nos podem ajudar a atravessar momentos difíceis. Ter alguém com quem possamos falar, sentir que somos escutados e compreendidos, manter relações significativas ou fazer parte de uma comunidade pode constituir uma importante fonte de suporte. Da mesma forma, alguns aspetos do quotidiano podem contribuir para o nosso equilíbrio: dormir e descansar adequadamente, movimentar o corpo, ter momentos de lazer, estabelecer limites, manter atividades que nos dão prazer ou significado e encontrar espaço para estar connosco próprios.


Nenhum destes aspetos garante que não iremos passar por períodos de sofrimento. Cuidar da saúde mental não significa construir uma vida sem dificuldades, nem existe uma fórmula que nos proteja de tudo aquilo que pode acontecer. Significa, antes, procurar desenvolver recursos que nos permitam lidar com as diferentes fases da vida e reconhecer quando precisamos de apoio.


Porque cuidar da saúde mental não é apenas procurar ajuda quando algo está mal. É também criar, no quotidiano, espaço para aquilo que sentimos, para as relações que nos fazem bem, para o descanso, para o que nos dá sentido e para uma vida que seja, tanto quanto possível, vivida com maior equilíbrio e significado.


 
 
 

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