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Educar com limites e compreensão

  • Foto do escritor: Ana Marques
    Ana Marques
  • 7 de abr.
  • 3 min de leitura

Para que se tornem adultos funcionais, as crianças precisam de aprender a lidar com a frustração e a reconhecer limites. Só deste modo conseguirão desenvolver mecanismos de autorregulação que serão utilizados em futuras situações de desconforto psicológico. Muitas vezes, a imposição de regras surge apenas tardiamente, nomeadamente na adolescência, momento em que a recetividade do jovem é menor.


Considera-se, por isso, essencial implementar regras e limites com coerência desde os primeiros anos de vida. A manutenção firme e consistente do 'não' por parte dos cuidadores revela-se crucial, só desta forma vamos atingir o objetivo desejado, ou seja, só assim será possível a interiorização e integração da regra pela criança.


Para além disso, as crianças precisam de crescer com a sensação de que os pais estão em consenso. Quando os cuidadores demonstram discórdia ou discutem o modelo educativo em frente à criança, transmitem uma insegurança que poderá ser prejudicial para a sua estabilidade emocional e desenvolvimento psicológico.


Apenas dizer “não” poderá não ser suficiente. Nestes casos, a punição poderá ser uma estratégia adequada para facilitar a integração da regra. Isto é, poderá ser importante aplicar castigos, no entanto, o castigo deve ser sempre ajustado e o seu propósito deve ser claro, de forma que a criança perceba o que lhe está a ser comunicado.


Imaginemos o seguinte cenário: uma criança faz um desenho numa parede. Qual poderá ser uma estratégia educativa adequada?


A melhor forma de a criança perceber o impacto das suas ações e integrar a regra de que "as paredes não são para escrever" é participar ativamente na resolução do problema. Isto é, o castigo ajustado poderia ser, por exemplo, limpar a parede, e, neste momento, poderá ser explicado que efetivamente as paredes não são para escrever e que, invés delas, deverá ser utilizado o papel. Por último, para reforçar a integração desta regra, uma punição ajustada seria retirar-lhe os marcadores ou lápis que utilizou durante um curto período de tempo. Desta forma, não estaremos a cair em excessos e facilitamos a integração efetiva da regra.


Nesta fase surge um aspeto fundamental, a distinção entre validação da emoção e a aceitação do comportamento. Assim, dever-se-á, neste momento, adotar uma postura que favoreça o reconhecimento e validação da experiência emocional. Por exemplo,  poderá ser útil dizer “Eu percebo que te sintas chateado e frustrado por teres de parar de brincar, mas vamos ter de limpar a parede”. Nesta pequena e simples frase, estamos a transmitir à criança que reconhecemos e validamos as suas emoções, facilitando, paralelamente, o autorreconhecimento das emoções, mas sem deixar de implementar a regra, ou seja, sem deixar de ser consistente, mantendo a autoridade e promovendo a responsabilização pelas suas ações.


É expectável que, perante isto, a criança não se mostre agradada, que resmungue e que ofereça resistência. Contudo é fundamental manter a firmeza, uma vez que ceder impede que a criança aprenda a tolerar a frustração. Face a este tipo de situações é de evitar a crítica desmedida, ou seja frases como “não sabes fazer nada bem”, “já te disse vezes sem conta que não se escreve nas paredes, vê se aprendes”, coisas deste género são muito comuns de serem proferidas em momentos de escalada do conflito. Contudo, este tipo de afirmações, quanto muito, fragilizam a autoestima da criança e em nada ajudam que o comportamento não se repita, pelo contrário, a criança poderá replicar este comportamento  noutros contextos em que se insira, produzindo o efeito oposto ao pretendido.

 

Marques, P. T. (2011). Clínica da infância: Conselhos práticos de psicologia infantil (2.ª ed.). Leya.

 
 
 

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