Entre a máscara e o verdadeiro “eu”
- Ana Marques

- 16 de fev.
- 2 min de leitura

O conceito de “representar” pode ser compreendido como a adaptação do nosso comportamento aos diferentes contextos sociais em que nos inserimos. Em determinados momentos ou situações, podemos sentir a necessidade de esconder sentimentos, emoções ou pensamentos para permanecermos integrados num determinado grupo.
Tal como refere Rauthmann (2021), as reações dos indivíduos baseiam-se na avaliação que estes fazem do ambiente que os rodeia, ajustando o seu comportamento às exigências do contexto em que estão inseridos. Enquanto seres relacionais, tendemos a adaptar as nossas reações ao meio envolvente, procurando responder às expectativas que os outros têm de nós.
Em diferentes contextos podemos sentir necessidade de representar e de “fingir” ser uma pessoa diferente ou de “exagerar” determinadas características. No contexto profissional, por exemplo, podemos tender a apresentar-nos como mais confiantes e seguros, procurando que os outros nos percecionem como competentes. No grupo de amigos, poderemos assumir uma versão de nós mais engraçada, extrovertida ou descontraída de forma a sermos aceites. Nas redes sociais podemos partilhar uma visão idealizada do “eu”, através da partilha seletiva de aspetos que acreditamos que serão mais valorizados pelos outros.
Nas relações amorosas, pelo menos numa frase mais inicial, poderemos sentir a necessidade de mostrar apenas o nosso “melhor lado”, adaptando interesses, opiniões ou comportamentos para agradar ao parceiro.
Estes exemplos ilustram como a representação pode implicar fingir ser alguém diferente ou exagerar características para corresponder às expectativas externas. Assim, representar pode ser simultaneamente um processo naturalmente inerente à vida em sociedade e um risco para a identidade pessoal. O equilíbrio entre estas revela-se essencial para preservar o bem-estar psicológico.
É aqui que a psicoterapia pode ter um papel fundamental, promovendo autoconsciência, fortalecendo a autoestima e promovendo assertividade, contribuindo para a melhoria do bem-estar psicológico e emocional.




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