A depressão pós-parto nos homens
- Andreia Rodrigues

- 3 de fev.
- 2 min de leitura

Há inúmeros relatos de homens que, após o nascimento do seu primeiro filho, descrevem esse momento como um dos mais felizes da sua vida. No entanto, há uma parte da paternidade que raramente é mencionada em público. Entre a privação do sono, o aumento das responsabilidades e a culpa por terem de provar que são bons cuidadores, alguns enfrentam um sofrimento silencioso: a depressão pós-parto.
De acordo com Scarff (2019), a depressão pós-parto paterna pode afetar até 10% dos pais durante o primeiro ano após o nascimento do bebé, e a sua manifestação nos homens, incluindo irritabilidade, indecisão, fadiga crónica e diminuição da expressividade emocional, são comuns e facilmente menosprezados. No entanto, há explicações para isso, como alterações hormonais, tais como a diminuição dos níveis de testosterona e o aumento do cortisol, estrogénio, vasopressina e prolactina, que afetam o humor dos pais.
As consequências vão muito além da saúde do pai: a depressão também interfere na qualidade do relacionamento com o bebé e pode comprometer o crescimento emocional, social e comportamental da criança, e a família em geral torna-se mais frágil e marcada por tensões e problemas que poderiam ser evitados com um diagnóstico precoce.
É necessária uma avaliação clínica, que deve incluir entrevistas, instrumentos de avaliação como a Escala de Depressão Pós-parto de Edimburgo (EPDS) ou o Questionário de Saúde do Paciente-9 (PHQ-9), bem como relatos de familiares. Também é preciso dissipar a ideia de que o sofrimento dos homens não deve ser falado ou deve ser silenciado, pois reconhecer os sintomas depressivos é sempre o primeiro passo para vencê-los.

O tratamento psicoterapêutico também é o mesmo que para as mães, mostrando que a psicoterapia geralmente traz bons resultados. No entanto, em algumas circunstâncias, pode ser necessário adicionar medicação antidepressiva.
Dar voz a esta realidade, como defende Scarff (2019), é compreender que a paternidade não é enfraquecida pela vulnerabilidade, mas, pelo contrário, torna-a mais humana e fortalece os laços familiares.
Scarff, J. R. (2019). Postpartum depression in men. Innovations in Clinical Neuroscience, 16[5-6], 11-14.







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